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Os fundos de pensão turbinam a previdência complementar

Jusprev
13 de junho de 2008

Setor que já vem crescendo a taxas médias de 15% ao ano, a previdência complementar ganhou ainda mais fôlego após a possibilidade de criação dos planos instituídos ou associativos. São fundos formados por sindicatos, associações ou cooperativas para as categorias que representam, regulamentados há cerca de quatro anos, e que, agora, começam a despontar com força no mercado, redesenhando o potencial de crescimento dos fundos de pensão. E entidades já veteranas, como os fundos de pensão dos funcionários da Petrobras, o Petros, e do Banco do Brasil, a Previ, abocanham boa parte do mercado, como gestores das entidades fundadas por outras categorias. A projeção da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) é de que o segmento, hoje com um patrimônio de R$ 460,8 bilhões, possa dobrar de tamanho no decorrer da década, contando especialmente com a nova modalidade.

Exemplos não faltam para demonstrar o interesse crescente por esse tipo de previdência. Na última terça-feira, a cooperativa de saúde suplementar Unimed-BH, lançou o seu plano, com aporte inicial de R$ 50 milhões em nome de seus cooperados. “Era uma demanda antiga que agora conseguimos concretizar. Como os médicos são profissionais liberais e, em geral, não têm previdência adequada para manter o mesmo padrão de renda de quando estão na ativa, cobravam essa oferta da cooperativa”, explica o presidente da Unimed-BH, Helton Freitas, que aposta em uma adesão maciça ao fundo. “A expectativa é de que os 4.630 atuais cooperados participem”, diz, informando que a administração dos recursos ficará a cargo da Petros – Fundação Petrobrás de Seguridade Social.

Antes da instituição mineira, a Associação Nacional dos Participantes de Fundos de Pensão (Anapar) e o Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro lançaram suas previdências próprias. Já a Fundação CEEE colocou no mercado, no último dia 10, o plano do Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Simpro/RS), enquanto a Sicoob/Bancoob contratou a Previ (o fundo de pensão dos funcionários do Banco Brasil) para gerenciar a aposentadoria privada. A OABPrev-MG, fundo de pensão da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de Minas Gerais, também vai indo muito bem, segundo seu diretor administrativo, Roberto Perecine. Em três anos, o número de participantes chegou a 4 mil, de um total de 55 mil advogados, e o patrimônio alcançou R$ 16,5 milhões. “A adesão é crescente, mas ainda há um potencial imenso para expansão. Neste ano, esperamos fechar em 7 mil adeptos e R$ 23 milhões em ativos”, completa. A rentabilidade do plano, em 2007, foi de 13,33%.

Com base nesses e outros casos, o presidente da Abrapp, José de Souza Mendonça, acredita numa arrancada ainda maior do setor. “Todo o sistema de fundos de pensão está em franco crescimento, porém, os planos instituídos são os que mais se destacam. Até 2004, os fundos fechados eram apenas de empresas para empregados. Com a abertura, a partir da Lei 109/2001, novos planos puderam se estruturar, gerando um bom mercado pela frente. As oportunidades são grandes, principalmente pelas vantagens oferecidas para ambas as partes na previdência associativa”, argumenta. O ganho financeiro, segundo ele, é o principal benefício. “Na (previdência) aberta, o participante paga a um banco para gerir o plano. Na fechada, não há fins lucrativos, e todo o lucro é revertido para o patrimônio do plano, ampliando o valor da aposentadoria. O custo para os beneficiados também é muito baixo ou zero”, pontua.

A diretora do Departamento de Análise Técnica da Secretaria de Previdência Complementar, Maria Ester Veras, acrescenta que essa modalidade ainda oferece a possibilidade de aportes do empregado, mas também do próprio instituidor, engordando os lucros. “Para o instituidor, há um fortalecimento do vínculo associativo e uma ampliação do conceito de defesa dos interesses dos associados”, completa. Fundos de pensão, como o Petros, que administram essas carteiras, também saem ganhando. “Não temos lucro; a cobrança é apenas uma taxa administrativa para custos operacionais. Mas temos benefícios em agregar novos clientes, já que isso amplia nosso poder de barganha na hora de fazer os investimentos e ainda gera economia de escala. A gestão melhora, e nossa marca fica fortalecida”, comenta o presidente da Petros, Wagner Pinheiro de Oliveira. Ele complementa que, com a gestão da previdência da Unimed-BH, a entidade chega ao 10º plano instituído sob sua administração, atendendo a mais de 30 sindicatos e associações. “É um mercado que devemos atacar para buscar ainda mais clientes”, comenta. Atualmente, de acordo com a Abrapp, existem no Brasil 39 fundos instituídos, somando mais de 100 mil participantes e um patrimônio de cerca de R$ 250 milhões. “A limitação para o crescimento da modalidade daqui a alguns anos pode ser a estrutura das entidades, porque precisa haver um comprometimento para se formatar a previdência complementar. As associações, em geral, terão que se organizar”, ressalva José Mendonça. (Hoje em Dia)

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