{"id":3943,"date":"2012-06-21T15:41:56","date_gmt":"2012-06-21T18:41:56","guid":{"rendered":"https:\/\/jusprev.org.br\/backup\/?p=3943"},"modified":"2012-06-21T15:41:56","modified_gmt":"2012-06-21T18:41:56","slug":"os-perigos-da-reducao-de-juros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jusprev.org.br\/backup\/os-perigos-da-reducao-de-juros\/","title":{"rendered":"Os perigos da redu\u00e7\u00e3o de juros"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Com a inten\u00e7\u00e3o de acelerar a atividade interna, essa pol\u00edtica macroecon\u00f4mica pode resultar em infla\u00e7\u00e3o, endividamento e inadimpl\u00eancia.<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A redu\u00e7\u00e3o dos juros \u00e9 uma pol\u00edtica do governo que tem por objetivo estimular o consumo e a produ\u00e7\u00e3o por meio da facilita\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito, objetivando a acelera\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o terceiro trimestre de 2011, quando o PIB brasileiro apresentou crescimento zero, que a taxa b\u00e1sica de juros (SELIC) vem sofrendo redu\u00e7\u00e3o pelo Banco Central, estando hoje no patamar de 8,5% ao ano, o que configura a menor taxa da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A redu\u00e7\u00e3o da taxa SELIC \u00e9 uma resposta da equipe econ\u00f4mica do governo frente ao baixo crescimento do PIB divulgado no primeiro trimestre de 2012, que subiu apenas 0,2% em compara\u00e7\u00e3o aos tr\u00eas meses anteriores, conforme o IBGE.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a inten\u00e7\u00e3o de dar energia para a economia se movimentar, o governo acena para novas redu\u00e7\u00f5es nos juros, com o mercado projetando uma taxa em torno de 7% no fim de novembro, quando ocorrer\u00e1 a \u00faltima reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (COPOM) no ano de 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerando que os juros altos inibem os investimentos produtivos, \u00e9 importante que o Brasil busque um patamar de juros similar ao praticado internacionalmente. Por\u00e9m essa pol\u00edtica macroecon\u00f4mica deve ser implantada com cautela, considerando os reflexos que pode acarretar no conjunto da economia, principalmente nas quest\u00f5es destacadas abaixo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Infla\u00e7\u00e3o:<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o governo reduz os juros, tem a inten\u00e7\u00e3o de injetar mais recursos na economia por meio do cr\u00e9dito, pois, com as condi\u00e7\u00f5es de financiamento cada vez mais facilitadas, haver\u00e1 um ensejo ao consumo pelas fam\u00edlias. Isso vai resultar numa equa\u00e7\u00e3o que trar\u00e1 aquecimento econ\u00f4mico e consequente expectativa de infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando aumenta o n\u00famero de pessoas aptas a consumir, ancoradas por pol\u00edticas de facilita\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito e outras medidas de est\u00edmulo, ocorrer\u00e1 a inje\u00e7\u00e3o de mais dinheiro em circula\u00e7\u00e3o, o que resulta na eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se uma economia for estimulada demais, o consumo das fam\u00edlias poder\u00e1 aumentar al\u00e9m da capacidade de produ\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, resultando na falta de produtos. \u00c9 nesse momento que os produtores se aproveitam do aumento da procura para elevar os pre\u00e7os, visando ao lucro, dentro da l\u00f3gica acumulativa do capitalismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A principal causa da infla\u00e7\u00e3o \u00e9 o desencontro entre oferta e demanda. Ent\u00e3o, quanto mais se reduz o juro, mais se deve ter aten\u00e7\u00e3o para a press\u00e3o inflacion\u00e1ria gerada pelo aumento da demanda por parte do mercado consumidor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessa forma, o Banco Central deve ser bastante cauteloso no manuseio da taxa de juros, pois o aumento da moeda em circula\u00e7\u00e3o pressionar\u00e1 os pre\u00e7os para cima. Quanto maior for a redu\u00e7\u00e3o dos juros, maior ser\u00e1 a expectativa de infla\u00e7\u00e3o na economia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Endividamento:<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante da crise internacional, reduzir os juros para estimular o mercado \u00e9 uma alternativa para driblar os efeitos das turbul\u00eancias externas; por\u00e9m essas pol\u00edticas devem ser respons\u00e1veis para evitar o endividamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem alguns exemplos de pa\u00edses da faixa do euro, cujas popula\u00e7\u00f5es foram extremamente especuladoras a ponto de se endividarem com a inten\u00e7\u00e3o de gerar riqueza, e por conta disso t\u00eam um futuro economicamente sombrio pela frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi justamente o consumo em exagero que levou a Europa a uma crise com alto grau de endividamento; pois, na d\u00e9cada anterior, diversos pa\u00edses perif\u00e9ricos ingressaram na zona do Euro e passaram a observar custos de capital muito mais baixos do que estavam acostumados. Tal fato estimulou esses pa\u00edses a irem \u00e0s compras e consumir al\u00e9m das suas capacidades de pagamento. Uma vez que custos de capital menores ensejam um processo de endividamento, agora essas popula\u00e7\u00f5es est\u00e3o pagando o pre\u00e7o da especula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa abordagem nacional, \u00e9 poss\u00edvel dizer que o corte de juros tamb\u00e9m visa \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de custos de capital, e o aumento do consumo das fam\u00edlias, provocado pelo crescimento do mercado interno e pela redu\u00e7\u00e3o dos juros, resultaram na eleva\u00e7\u00e3o do \u00edndice de endividamento das fam\u00edlias brasileiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O acesso facilitado ao cr\u00e9dito por meio de financiamentos provoca o comprometimento da renda dos consumidores que possuem menor capacidade de pagamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Levantamento da &#8220;Tend\u00eancias Consultoria&#8221; aponta que, pela primeira vez, mais da metade da renda anual dos brasileiros estar\u00e1 comprometida com d\u00edvidas em 2012, quando o endividamento das fam\u00edlias deve chegar a 51%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o esfor\u00e7o do governo em facilitar o cr\u00e9dito para as fam\u00edlias atrav\u00e9s de linhas mais baratas, a capacidade de endividamento aumentar\u00e1. Por isso, \u00e9 preciso estar atento ao comprometimento do sal\u00e1rio com as presta\u00e7\u00f5es, o que \u00e9 determinante para a inadimpl\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Inadimpl\u00eancia:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra problem\u00e1tica advinda do aumento das medidas de est\u00edmulo ao consumo, como a redu\u00e7\u00e3o de juros, \u00e9 a eleva\u00e7\u00e3o dos \u00edndices de inadimpl\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os \u00faltimos dados do Banco Central mostram que a taxa de inadimpl\u00eancia das pessoas f\u00edsicas voltou a subir em abril, quando atingiu 7,6%, contra 7,4% em mar\u00e7o deste ano &#8211; atingindo, assim, o maior patamar desde dezembro de 2009, quando havia atingido 7,7%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, a redu\u00e7\u00e3o dos juros pode levar ao endividamento das fam\u00edlias, com consequente eleva\u00e7\u00e3o do n\u00famero de inadimplentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encerrando, al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o dos juros, como pol\u00edtica de est\u00edmulo ao mercado interno frente \u00e0s crises, o governo tamb\u00e9m deveria se preocupar em aplicar recursos na expans\u00e3o da capacidade produtiva por meio da eleva\u00e7\u00e3o do percentual do PIB aplicado em investimentos, objetivando a gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda para a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A situa\u00e7\u00e3o do Brasil comparada \u00e0 conjuntura mundial demonstra uma certa solidez, por\u00e9m o governo n\u00e3o tem aproveitado esse momento para investir em quest\u00f5es estruturantes, como as reformas fundamentais. O Brasil necessita de\u00a0 uma ampla reforma tribut\u00e1ria, que simplifique, desburocratize e d\u00ea competitividade, al\u00e9m de uma reforma administrativa, que reduza a burocracia e d\u00ea efici\u00eancia \u00e0 m\u00e1quina p\u00fablica, bem como uma verdadeira e efetiva reforma previdenci\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitas s\u00e3o as quest\u00f5es que devem estar permanentemente na pauta maior da equipe econ\u00f4mica do governo, que precisa cada vez mais estar atenta aos acontecimentos econ\u00f4micos externos, principalmente diante da atmosfera de incertezas que paira sobre o mundo desenvolvido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(Administradores.com)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a inten\u00e7\u00e3o de acelerar a atividade interna, essa pol\u00edtica macroecon\u00f4mica pode resultar em infla\u00e7\u00e3o, endividamento e inadimpl\u00eancia. 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