{"id":4266,"date":"2009-02-17T16:17:22","date_gmt":"2009-02-17T19:17:22","guid":{"rendered":"https:\/\/jusprev.org.br\/backup\/?p=4266"},"modified":"2009-02-17T16:17:22","modified_gmt":"2009-02-17T19:17:22","slug":"artigo-um-olhar-confiante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jusprev.org.br\/backup\/artigo-um-olhar-confiante\/","title":{"rendered":"Artigo: Um olhar confiante"},"content":{"rendered":"<p>Reproduzimos, em seguida, artigo do consultor Luiz Guilherme Piva, da LCA Consultores: \u201c Um pouco mais otimista do que a m\u00e9dia, posso dizer. A m\u00e9dia n\u00e3o \u00e9 l\u00e1 essas coisas, mas algum otimismo nesta hora merece o registro. E eu tenho falado sobre economia brasileira com expectativas melhores do que as que tenho ouvido e lido.<\/p>\n<p>N\u00e3o confiaria demais na minha intui\u00e7\u00e3o se n\u00e3o a baseasse na leitura que fa\u00e7o dos excelentes trabalhos da equipe de macroeconomia da LCA &#8211; que, no entanto, n\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel pelo que pode ser entendido como ousadia da minha perspectiva.<\/p>\n<p>O Brasil tem passado relativamente bem pela crise. Na primeira grande pedra no lago da economia internacional, em agosto de 2007, os efeitos por aqui n\u00e3o foram al\u00e9m dos pre\u00e7os de ativos &#8211; que logo se recuperaram.<\/p>\n<p>De agosto a dezembro de 2008, com intensidade maior em setembro e outubro, a avalanche despejou enormes pedras na lagoa. Bombas e ondas enormes engoliram mercados financeiros, bancos, f\u00e1bricas, lojas e empregos em v\u00e1rios lugares. Ondas centr\u00edfugas fortes chegaram nestas plagas, outras ainda est\u00e3o batendo e h\u00e1 algumas a caminho &#8211; at\u00e9 dizem que as mais perigosas s\u00e3o as secund\u00e1rias, sorrateiras, vorazes.Mas vejamos.<\/p>\n<p>O mergulho dos pre\u00e7os das a\u00e7\u00f5es e do valor do real frente ao d\u00f3lar, o estancamento de segmentos da produ\u00e7\u00e3o e das vendas, a corros\u00e3o de alguns balan\u00e7os e a contin\u00eancia do cr\u00e9dito no \u00faltimo trimestre de 2008 foram duros. Duas coisas, por\u00e9m, chamam a aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Primeira: nem de longe se parecem com o que se deu nas principais economias, que, em fra\u00e7\u00f5es de semanas, derreteram &#8211; um desaquecimento econ\u00f4mico global transformando em \u00e1gua blocos antes s\u00f3lidos, como se imagina ocorrer\u00e1 com as geleiras, em fra\u00e7\u00f5es de mil\u00eanios, no aquecimento clim\u00e1tico global.<\/p>\n<p>A segunda: os impactos no mercado de trabalho, embora grandes, ficaram proporcionalmente menores do que a redu\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, este segundo aspecto tem rela\u00e7\u00e3o com a popularidade de Lula e a recupera\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a quanto a emprego e sal\u00e1rios nos pr\u00f3ximos meses, captadas na pesquisa CNT\/-Sensus de janeiro.<\/p>\n<p>J\u00e1 se notam recupera\u00e7\u00f5es parciais e relativas em segmentos do com\u00e9rcio e da ind\u00fastria. As proje\u00e7\u00f5es de emprego e renda sustentam &#8211; com desigualdades entre os setores, incluindo redu\u00e7\u00f5es grandes em alguns &#8211; retomada a partir do segundo e, principalmente, do terceiro trimestre para n\u00edveis (em fluxo e em estoque) pr\u00f3ximos aos de 2004.<\/p>\n<p>Os ganhos reais do sal\u00e1rio m\u00ednimo, a baixa infla\u00e7\u00e3o e as pol\u00edticas assistenciais seguram a demanda de v\u00e1rios bens e servi\u00e7os. O sistema banc\u00e1rio est\u00e1 s\u00f3lido. Os projetos de infraestrutura t\u00eam que ser continuados, e est\u00e3o sendo. O governo ataca com medidas tribut\u00e1rias, monet\u00e1rias e compensat\u00f3rias de bom efeito.<\/p>\n<p>O BNDES supre com bravura espa\u00e7os que o cr\u00e9dito banc\u00e1rio abandonou. Fundos de &#8220;private equity&#8221; e fundos de pens\u00e3o seguem fazendo neg\u00f3cios. As reservas brasileiras s\u00e3o altas (US$ 200 bilh\u00f5es). Somos credores l\u00edquidos externos na d\u00edvida p\u00fablica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de tudo, pensemos: haver\u00e1 ainda pedras grandes a cair no lago da economia internacional? Algum grande banco est\u00e1 por quebrar? Algum governo deixar\u00e1 que isso ocorra? Ainda h\u00e1 incertezas quanto \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos principais pa\u00edses de n\u00e3o deixar a \u00e1gua subir al\u00e9m do pesco\u00e7o?<\/p>\n<p>A China deixar\u00e1 de demandar &#8220;commodities&#8221; para alimentar a popula\u00e7\u00e3o? Ou deixar\u00e1 a economia parar e gerar desagrega\u00e7\u00e3o social?<\/p>\n<p>N\u00e3o ter\u00e1 reservas monet\u00e1rias e poder pol\u00edtico suficiente para fugir para adiante? S\u00e3o perguntas que aceitam respostas prenhes de sen\u00f5es dial\u00e9ticos. Mas, por isso mesmo, aceitam tamb\u00e9m aquelas que duvidem das cat\u00e1strofes inevit\u00e1veis.<\/p>\n<p>De todo modo, meu relativo otimismo tem que ponderar aspectos graves, que o podem tornar inconsistente como um banco island\u00eas. Destaco os seguintes. A retra\u00e7\u00e3o das principais economias afeta nossos volumes e pre\u00e7os de exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As pr\u00e1ticas protecionistas encolhem mercados que vimos conquistando recentemente. A continuidade da insolv\u00eancia l\u00e1 fora estimula atores a retirar recursos do Brasil. Tudo culmina na crise de confian\u00e7a e de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>Para piorar, nossa pol\u00edtica monet\u00e1ria segue deificando taxas de juros reais que j\u00e1 foram lan\u00e7adas ao inferno em todas as economias que mere\u00e7am ser assim chamadas. Talvez haja um motivo para essa sagra\u00e7\u00e3o injustificada feita pelo Banco Central (BC).<\/p>\n<p>Algu\u00e9m deve ganhar alguma coisa com isso, embora custe tanto a toda a economia. Mas n\u00e3o tenho certeza. Pode ser s\u00f3 uma iconoclastia besta da minha parte\u201d.(Gazeta Mercantil)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reproduzimos, em seguida, artigo do consultor Luiz Guilherme Piva, da LCA Consultores: \u201c Um pouco mais otimista do que a m\u00e9dia, posso dizer. 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